A origem do ecstasy

Ecstasy – também chamado de bala, molly, mandy, E, X, bean, MD, xtc, adam, etc – é o nome dado aos comprimidos (ou cristais) de MDMA (metilenodioximetanfetamina), substância sintetizada pela primeira vez em meados de 1890 e posteriormente, em 1912, com patente registrada pela empresa farmacêutica Merck KGaA, que tinha como objetivo fornecê-la para atividades militares, pois combatia a fome e o sono. Entretanto, somente nos anos 70 que a substância ganhou popularidade, após o químico, farmacologista, e pesquisador de drogas russo-estadunidense Alexander Shulgin publicar o livro PiHKAL (Phenethylamines I Have Known And Loved: A Chemical Love Story) ou PiHKAL (Fenetilaminas Que Conheci E Amei: Uma História De Amor Aos Químicos) no português brasileiro, que descreve vários compostos químicos descobertos por ele, e seus efeitos no corpo humano.

Alexander Shulgin (1925 – 2014)                             

MDMA e seus efeitos

Alguns motivos para a popularidade do MDMA, em 1970, principalmente na cultura dance music que surgia na época, são os seus fortes efeitos de empatia, euforia, felicidade, e conexão com outras pessoas, que são chamados de efeitos principais. Todavia, algumas sensações desagradáveis podem ocorrer antes dos efeitos principais. Isso porque, dependendo da dosagem, a substância demora em média 30 minutos para dar os resultados esperados. Essas sensações desconfortáveis são em geral: náusea, vômito, vontade de defecar, e ansiedade.

                                                                               Duração do MDMA (Oral)
                                                                                 
Duração total
3 – 5 hrs
Tempo de espera para os primeiros efeitos após a ingestão da substância:        
20 – 90 mins
Tempo para crescimento dos efeitos até o pico:     
5 – 20 mins
Pico:
2 – 3 hrs
Do pico até acabarem os efeitos:
1 – 2 hrs
Tempo para que alguns efeitos do dia após acabem (cansaço, sensação de calor, etc):     
2 – 24 hrs
Ressaca no dia seguinte:       
2 – 72 hrs

 

Quando o composto começa a fazer efeito, existem aqueles considerados positivos, neutros, e negativos.

Os principais efeitos positivos são: euforia; aumento da vontade em se comunicar com as pessoas; estimulação; diminuição no ego; diminuição do medo, da ansiedade e de inseguranças; sentimento de conforto e proximidade com pessoas; sentimentos de amor e empatia; o perdão de si próprio e de outras pessoas; sentimento de paz interior, aceitação de si mesmo, do próximo e do mundo; apuração de sentidos e aumento na apreciação musical; aumento da sensação do tato, ou seja, prazer em ser tocado e em tocar pessoas; experiências espirituais de mudança de vida; vontade de abraçar e beijar pessoas; analgesia e diminuição na percepção da dor; fisicamente não viciante.

Os principais efeitos neutros são: diminuição do apetite; distorção visual; rápido e involuntário movimento dos olhos (nistagmo); alucinações visuais leves (incomum); aumento moderado dos batimentos cardíacos e da pressão sanguínea; inquietação; mudança na regulação da temperatura corporal; labilidade emocional.

Os principais efeitos negativos são: ligação emocional inapropriada ou não intencional; ansiedade; agitação; possibilidade de falar algo que talvez faça com que você se sinta desconfortável depois; trismo e bruxismo; períodos curtos de desconexão com o mundo exterior, geralmente em doses consideras altíssimas; dificuldade na concentração e visão borrada (efeitos relacionados à dilatação da pupila e ao nistagmo); insônia; tensão muscular; dificuldade para atingir o orgasmo (apenas enquanto durar o efeito da substância); aumento da desidratação; hiponatremia; náusea e vômito; cansaço (no dia após o uso); ressaca (dia após ao uso, podendo durar alguns dias).

Cuidado: os efeitos negativos podem aumentar com doses mais altas que o recomendado.

DURATION CHART

A dosagem

O ecstasy vendido no Brasil contém em média 70mg de MDMA. Na Europa, o ecstasy comercializado contém uma média de 130mg-150mg.

Dosagem do MDMA (Oral)
Efeitos quase inexistentes 30 mg
Light 40 – 75 mg
Comum para pessoas sensíveis 60 – 90 mg
Comum para a maioria das pessoas 75 – 125 mg
Comum para pessoas grandes ou poucos sensíveis  110 – 150 mg
Doses consideradas altas 150 – 200 mg
Doses consideradas muito fortes  200 + mg

Importante: vômito, dor de cabeça, e tontura podem resultar de uma dose muita alta de MDMA. Algumas pessoas são mais sensíveis a essa substância que outras, por isso, tome cuidado caso você esteja usando pela primeira vez ou tenha posse de um material de pureza desconhecida.

Embora a morte ocasionada pelo uso de MDMA seja muito rara (1 para 10000 usuários, ou 0,01%), ele é considerado um neurotóxico. Por isso, para a redução de danos, é recomendado começar com uma dose baixa (50mg – 80mg), com a possibilidade de redosagem em intervalos regulares de algumas horas, sem exceder o limite de 500mg. Também é extremamente necessário que o uso não seja frequente. Logo, o usuário deve estabelecer um intervalo de, no mínimo, 1 mês entre usos recreativos.

Problemas

O conteúdo comum dos comprimidos de ecstasy é o MDMA, mas também é comum encontrar neles substâncias semelhantes que apresentem os efeitos semelhantes, como por exemplo, MDA, MDAI, MDE, bk-MDMA. São os chamados MDxx, que contêm riscos idênticos ou menores que o MDMA, como é o caso do MDAI, que foi criado nos anos 90 para ser um substituto do MDMA, pois não é neurotóxico. Todavia, às vezes, as pílulas vendidas como ecstasy detêm um conteúdo nem um pouco parecido com o MDMA; substâncias como a metanfetamina e a anfetamina, que causam dependência; DXM, DOB e 2C-B, que são alucinógênos; a ketamina, que é um dissociativo; PMMA/PMA, que são extremamente letais, apelidados de Dr. Death (Dr. Morte). Este último é conhecido por estar presente em falsos comprimidos ecstasy apelidados de “super-man”.

Pill Report: Red Superman

Comprimido de PMA/PMMA

Basicamente, o PMMA/PMA, mesmo sendo um estimulante, tem efeitos diferentes do MDMA, pois não proporciona ao usuário a euforia e as sensações prazerosas que o verdadeiro ecstasy possui – além do fato de que o risco de uma overdose de PMMA/PMA requer quantidades muito menores em comparação com o MD. Por exemplo, uma dose de MDMA recreativa é de aproximadamente 80mg, e a que pode provocar overdose está em torno dos 600mg tomados de uma única vez. Por outro lado, a dose do PMMA/PMA para fins recreativos é de 40mg, e a fatal está em torno dos 70mg. Desse modo, hipoteticamente, um usuário pode comprar o falso ecstasy e tomar uma pílula, que deve conter uns 40mg de PMMA/PMA. Posteriormente, não satisfeito com os efeitos por achá-los fracos ou inexistentes, ele toma outra e provoca a overdose (e provavelmente a sua morte).

Logo, é importantíssimo saber a procedência do ecstasy, e para isso há diversas maneiras. Bem, na Holanda existem certos locais em que se pode testar várias substâncias e saber seu conteúdo – até mesmo as drogas que não são consideradas legais no país. São os chamados “test services”. Todavia, no Brasil e em outros lugares onde não há uma política de redução de danos tão especializada como nos Países Baixos, a maioria dos usuários verificam o que possuem através de testes de reagentes no produto. O exame consiste de pingar uma gota dos reagentes (Marquis, Mecke, Mandelin, Simon, Folin, Buffer, Robatest, Froehde, Liebermann) numa quantidade pequena do composto a ser testado. No contato, há uma reação que gera um líquido de cor específica, que é o que determina o verdadeiro conteúdo do químico testado; apesar da coloração da reação ser igual para diferentes substâncias em alguns reagentes, se diferenciam nos restantes, como pode-se perceber nas reações do MDMA, MDE, e MDA no quadro abaixo.

Assista à reação do reagente marquis com o MDMA

O kit de reagentes pode ser comprado nos sites especializados em redução de danos DanceSafe e ReagentKit. No Brasil, também pode ser adquirido na OLX e Mercado Livre.

Para comprar no DanceSafe, clique aqui.

Para comprar no ReagentKit, clique aqui.

Uma forma alternativa de saber o conteúdo do ecstasy comprado é através do site PillReports. Criado por usuários do MDMA, tem como proposta que eles mesmos criem relatórios e postagens sobre os diferentes tipos da substância, com informações, localização, e testes. Os falsos são colocados sob aviso, para que não sejam comprados e nem experimentados. Nesse site, na parte nomeada ‘South America’, existem várias informações de pílulas que circulam pelo Brasil.

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Outro pouco conhecido, mas não menos importante, é o EcstasyData, um laboratório independente, que relaciona substâncias e informações sobre elas, em que cidade foram compradas, e se foram vendidas conforme o que realmente são.

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Trip Reports

Vlogger famoso, Fabrício Mira tem um canal no Vimeo onde posta vídeos sobre experiências com diversas substâncias, como por exemplo o MDMA, LSD, anfetaminas, e dissociativos, além de informações sobre elas. Confira alguns de seus vídeos:

Metilona ou bk-MDMA.

Confira o canal do Fabrício, clique aqui

 

Combos

Alguns usuários do MDMA tentam misturar essa substância com outras, para produzir efeitos agradáveis aos seus gostos, como por exemplo o chamado candyflip, mistura do MDMA com o LSD, ou o hippieflip, MDMA com cogumelos. Essas combinações são consideradas de baixo risco, entretanto, existem outras que não devem ser feitas, pois podem levar o usuário a complicações, ou até à morte.

Perigosos:

DXM (dextrometorfano), encontrado em alguns medicamentos que combatem tosse. 

αMT, droga psicodélica.

Tramadol, analgésico. Doses acima de 300mg provocam convulsões, além de que, combinado com o MDMA, provoca a síndrome da serotonina, que pode levar ao óbito.

IMAO ou inibidores da monoamina oxidase, usado no tratamento da depressão. Combinado com o MDMA, provoca crises hipertensivas.

– Retronavir, navir, ou inibidores de protease, usados no tratamento contra o HIV/AIDS. Combinados com o MDMA, provocam overdose certa, 100% de chances.

Inseguros:

– PCP, droga dissociativa. Combinação pode facilmente levar a estados hipomaníacos.

Cuidado:

NBOMes (25i, 25c, 25b, 25x), psicodélico frequentemente vendido como LSD. Conhecido por causar mortes em usuários em doses mais baixas do que aquelas usadas anteriormenteAtenção: diferentemente do LSD, que não apresenta sabor, NBOMes têm gosto amargo ou azedo. Ademais, LSD é o único que faz efeito engolido, de forma sublingual ou absorvido por alguma parte corporal. NBOMes apenas apresentam efeito quando usados de maneira sublingual.

– Cafeínaaumenta os efeitos neurotóxicos do MDMA.

– Álcool, MDMA e o álcool causam desidratação. Por isso, ao combiná-los, é importante manter-se sempre bem hidratado em espaços curtos de tempo. Além do mais, o álcool é conhecido por diminuir a euforia proveniente do MDMA.

– GHB/GBLanestésico usado no combate à insônia, depressão, alcoolismo, e narcolepsia.

– Cocaínabloqueia alguns efeitos desejados no MDMA, além de aumentar o risco de ataque cardíaco.

– DOx, droga psicodélica muito potente e de grande duração. A combinação dos efeitos estimulantes do MDMA e DOx tendem a ser desconfortáveis. O término dos efeitos do MDMA enquanto o DOx ainda está ativo pode provocar um grande aumento na ansiedade do usuário.

Baixo risco e provoca estímulo nos efeitos do MDMA:

– Cogumelos, psicodélicos.

– LSDalucinógeno com maior popularidade no mundo.

– DMT, presente no chá de Ayahuasca, e utilizado na seita ‘Santo Daime’.

– Mescalinapsicodélico encontrado no cacto Peyote e no de São Pedro.

– Cannabisgrandes quantidades de cannabis podem causar fortes experiências em combinação com o MDMA. Por isso, é recomendado que seu uso seja no final da experiência.

– Anfetaminas, aumentam alguns efeitos desejados do MDMA. Entretanto, também aumentam seus efeitos neurotóxicos.

 – N²O ou óxido nitroso, também conhecido como gás do riso. Aumenta os efeitos visuais em combinação com o MDMA.

Ketaminadissociativo anestésico e alucinógeno. Pode ser usada em combinação de efeitos com o MDMA em baixas doses. Todavida, doses consideradas altas podem elevar o risco de lesão física.

– 2C-X (2C-B, 2C-E, 2C-D, etc), droga psicodélica que apresenta efeitos semelhantes à combinação do MDMA com o LSD.

Baixo risco e desestímulo nos efeitos do MDMA:

– ISRS ou Inibidores seletivos de recaptação de serotonina, usados no tratamento de depressão e transtorno de ansiedade. Diminuem os efeitos do MDMA no corpo.

– Benzodiazepinas, sedativos e relaxantes musculares.

Baixo risco e não altera os efeitos do MDMA:

– Opióides, analgésicos depressantes.

 

Relação entre combinações de drogas (clique no botão direito para ampliar):

Cuidados extras

Aquecimento corporal: uso do MDMA pode levar à hipertermia, principalmente nos usuários frequentes da substância. É importante prestar atenção no corpo, e se certificar de que ele não esteja super aquecendo. Faça pausas na dança e saia de lugares quentes. Beba água o suficiente, mas não muita.

Abuso no consumo de água: alguns usuários, ao perceber que estão muito quentes, exageram no consumo de água e causam hiponatremia no próprio corpo, o que pode levar a sérios problemas de saúde e até à morte. MDMA pode causar alterações no hormônio antidiurético do corpo, fato esse que aumenta a suscetibilidade à hiponatremia. Por isso, beba água, mas não muita. 

Convulsões: Um pequeno número de usuários de MDMA têm reportado convulsões depois de ter tomado uma dose alta da substância – geralmente em mulheres pequenas. Por isso, não exagere na dosagem.

Sensibilidade individual: Um pequeno grupo de usuários de MDMA parece reagir com extrema sensibilidade e experimentar efeitos fortes com doses normais, incluindo hiponatremia, convulsões, inconsciência e outros problemas. Desse modo, é importante que o usuário conheça os limites do próprio corpo.

ContraindicaçõesIndivíduos com histórico de doenças cardíacas, hipertensão arterial, aneurisma ou acidente vascular cerebral, glaucoma, e hipoglicemia têm maior risco de problemas de saúde após o uso.

DepressoresMDMA pode aumentar a depressão em alguns usuários e estimular em outros com uso frequente da substância.

 

Fontes: EROWID.org

Bluelight.org

Psychonautwiki.org

Redação Play EDM

Redação Play EDM