Desde que o ecstasy foi proibido em grande parte do mundo, a ignorância se instalou na humanidade. Não, não estamos chamando a população de burra, e sim de mal informada – o que não é culpa de ninguém, exceto dos que optaram por não difundir tais informações. Quando falamos de drogas, a mídia exerce um papel fundamental para continuarmos sem entender quase nada sobre este mundo. A única informação que te oferecem é: a droga é perigosa, a droga mata! O intuito disso é fazer com que as pessoas fiquem com medo de trilhar esse caminho. O resultado? O oposto. No final das contas, essa estratégia não faz com que as pessoas deixem de usar drogas ilícitas, apenas impede que elas tenham uma educação básica para entenderem com o que estão realmente lidando. Muitos programas e movimentos contra as drogas optaram por tentar impôr a abstinência, e com isso, temos um número absurdo de jovens e adultos que não têm a menor noção de como lidar com problemas como uma overdose de uma substância que inevitavelmente tiveram a curiosidade de experimentar.

“O MDMA foi proibido assim que se soube do seu uso recreacional na vida noturna — era legal nos EUA até 85, e nesse período, os jovens podiam comprar a droga até na porta da balada —, e entrou erroneamente direto na categoria das drogas mais perigosas, junto com a heroína, a cocaína, e outras. Ok, o governo se depara com uma substância que todo mundo está usando pra se divertir e tem que tentar controlar isso de alguma forma, afinal, não querem que aconteça algo como foi a Irlanda louca por 48 horas.
O resultado da proibição: a curiosidade da juventude pra usar ecstasy foi atiçada de vez, e os fornecedores da droga, agora oficialmente traficantes, começaram a misturar um monte de porcarias dentro das pílulas.” – trecho da incrível matéria do Stereo Minds sobre drogas.

Como diz a citação, desde que as drogas foram proibidas, substâncias desconhecidas fazem parte dela, o que infelizmente é uma realidade cada vez mais forte. Então, a fim de determinar exatamente o que são, e o efeito que estas substâncias psicoativas causam nas pessoas, Joseph J. Palamar, PhD, Mestre em Saúde Pública que trabalha em uma filial do Centro de Uso de Drogas e Pesquisa em HIV (CDUHR) e professor-assistente de Saúde da População na NYU Langone Medical Center (NYULMC), iniciou uma pesquisa que determinou que as substâncias psicoativas que as pessoas estavam tomando eram na verdade drogas sintéticas.

Antes de entender a pesquisa do Dr. Palamar, é importante sabermos quanto tempo o ecstasy permanece em nosso corpo:

 Uma dose de ecstasy 

Saliva – de 1 a 3 dias;
Urina – 1 a 3 dias;
Cabelo – durante 90 dias;
Sangue – durante 12 horas;

Múltiplas doses de ecstasy

Saliva – de 1 a 5 dias;
Urina – de 2 a 5 dias;
Cabelo – durante 90 dias;
Sangue – até 24 horas ou mais;

Voltando à pesquisa, Dr. Joseph entrevistou 679 frequentadores de clubs e festivais em 2015, com idades entre 18 e 25 anos. Aproximadamente 25% toparam doar uma amostra do cabelo para que fosse analisada a presença de drogas sintéticas e outras substâncias psicoativas. O resultado? Apenas metade das amostras continham MDMA.

“41.2% das pessoas que afirmaram nunca ter ingerido drogas sintéticas, substâncias psicoativas, ou pílulas/pós desconhecidos, receberam um resultado positivo ao serem testadas para detectar a presença de butylone, methylone, alpha-PVP, 5/6-APB, ou 4-FA.”

“O ecstasy em si nem sempre foi uma droga tão pergiosa, mas se torna cada vez mais arriscado por ser tão adulterado com novas e outras drogas que usuários e cientistas sabem muito pouco sobre,” afirmou Dr. Joseph. “Os usuários precisam estar cientes de que o que eles estão tomando pode não ser MDMA.”

“Como o MDMA está se tornando uma substância muito mais arriscada, eu realmente espero que aqueles que decidam usar procurem informações sobre o que estão fazendo. Embora seja mais seguro evitar o uso, kits de teste estão disponíveis online para aqueles que decidirem usar. Queremos garantir que eles estão realmente tomando MDMA, e não um novo estimulante sintético, como Flakka.”

Não vamos ignorar o fato de que, muitos que estão lendo essa matéria, já consumiram alguma droga ilícita. Por isso, caro leitor, certifique-se sempre de estar tomando algo realmente verdadeiro, pois como pudemos perceber, às vezes essas substâncias desconhecidas são muito mais perigosas que as conhecidas.

*Lembrando que não estamos incentivando ninguém a consumir drogas, e sim a buscar informações sobre o assunto. 😉

Rodolfo Reis

Rodolfo Reis

Fundador, redator, e editor do Play EDM. Publicitário, brasileiro, mas atualmente morando em Dublin, na Irlanda. Já viajou para outros países quase sem dinheiro em busca da música eletrônica. Sente saudades da sua família e dos seus treze animais de estimação que deixou em São Paulo. Futuro produtor de eventos ligados à música eletrônica!