As fronteiras entre a música eletrônica e o pop estão cada vez mais turvas. Prova disso são os sucessos provenientes da dance music ocupando os principais charts do mundo, incluindo os do Spotify. O público que está na noite quer dançar e se divertir, de preferência, com o comando dos responsáveis por esses hits que fazem as pistas brasileiras e gringas pulsarem.
Com a chegada do verão no hemisfério norte, uma variedade de canditados a hits da estação já estão nos celulares, carros e computadores dos entusiastas musicais. Uma dessas opções é o recente lançamento do duo brasileiro Audax, composto pelos irmãos gêmeos Pedro e Andre Cajado. Must Be Love é um EP produzido em parceria com Richard Grey, que conta com uma faixa original mais remix de Bkid. Uma nova edição de remixes também já foi lançada com releituras de Richard Deep e Flash Drive.
Nós aproveitamos o release e trocamos uma ideia com o duo. O resultado desse bate-papo você confere a seguir:
1 – Olá, meninos! Tudo bem? “Must Be Love” é uma faixa com a cara do verão. Podemos dizer que ela foi pensada para a temporada mais quente do ano na Europa?
Tudo ótimo e com vocês? É um prazer estar aqui novamente. “Must Be Love” foi pensada, antes de tudo, em ser uma boa canção. Nós exploramos um outro lado nosso, junto ao Richard, e gostamos muito do resultado. A mensagem é muito positiva, gostamos sempre de passar uma mensagem forte. É uma música alegre que contém elementos tropicais em seu arranjo. Dá para dizer que ela tem absolutamente tudo a ver com o verão. Uma feliz coincidência.
2 – Quando exatamente que a música eletrônica floresceu dentro de vocês e então decidiram seguir carreira juntos?
Nós sempre fizemos música juntos. Desde quando tínhamos uma banda de rock, aos dias de hoje. A música eletrônica floresceu durante a adolescência, quando ainda fazíamos rock. Naquela época ouvíamos rock e psytrance. Após o término da banda em 2010, decidimos que montaríamos um projeto só nosso. Depois disso, foi um processo natural. Fomos desbravando o mundo da música eletrônica, nos aperfeiçoando. Esse processo demorou quase 4 anos. Em 2014 lançamos o Audax tal como ele é hoje.

3 – Na rotina semanal de vocês, como funciona a preparação para as gigs? Há diferenças no processo criativo das faixas e dos sets ou vocês trabalham juntos em todos os aspectos?
Na verdade, gostamos de separar o projeto autoral e artístico das apresentações. As vezes, os dois se encontram e tocamos uma track nossa tal como ela é. Mas, como todo bom DJ, é preciso sentir o quê a pista quer. Levamos um pouco de tudo e gostamos desse desafio. Agora quando criamos uma música própria, não pensamos em gêneros, e não pensamos em situações de pista. Pensamos em fazer música boa, sem rótulos. Gostamos de falar que o gênero do Audax é música boa. Se olharem para o nosso trabalho artístico autoral, sentirão que não ficamos presos a gêneros. Para tocar, é necessário uma adaptação de certas tracks propriamente para isso. Até criação de bases para que sejam feitas inserções de live vocal. São propósitos diferentes. Não tem jeito, esse é um trabalho de 7 dias por semana. Seja produzindo, tocando ou fazendo algo relacionado à carreira.
 
4 – Em Julho vocês estão partindo para mais uma tour na Europa. Como foi a primeira experiência por lá e o que vocês estão preparando para essa nova aventura?
A primeira experiência foi muito bacana e positiva. Entendemos como é se apresentar para pessoas de outras culturas, com referencias e gostos diferentes. Nós adoramos viajar então, é sempre uma alegria e uma honra poder juntar as duas coisas. Estamos mais do quê preparados! Vamos com muita disposição e humildade para aprender mais e divertir as pessoas.
5 – Sobre a participação de vocês no Electric Zoo: O que representou pra vocês tocar num festival desse porte? A experiência em um evento como esse é muito diferente da proposta em um club?
Participar de um festival desse porte, na sua primeira passagem pelo Brasil, é motivo de muita alegria e orgulho para nós. É uma experiência muito diferente de um club. Vimos muitos companheiros de profissão no Artist Village, vimos Hardwell, Rehab e KSHMR do nosso lado isso fora os tops nacionais que lá estavam. Fomos muito bem tratados e atendidos pela produção. Isso faz você entender mais sobre a magnitude de um evento desses. Realmente é muito diferente do quê tocar nos clubs em que tocamos. Mas, gostamos muito das duas situações e sabemos trabalhar as dinâmicas que cada uma pede.
 
6 – A linha entre o pop e o eletrônica está cada vez mais turva. Como vocês enxergam esse atual momento do cenário?
Nós vemos que o pop está fazendo mais do quê as pessoas imaginam pela música eletrônica. A música eletrônica quebrou barreiras que antes eram consideradas inimagináveis. Havia muito preconceito, tanto com DJs quanto com o público que frequentava eventos de música eletrônica. Ainda há preconceito, mas muito menos do quê antes. Não existem barreiras na música e na arte. Quem cria essas barreiras são as pessoas, talvez por sentirem medo de algo sem rótulo. Então, vemos como normal que o pop hoje se confunda com a música eletrônica. Esperamos que mais paradigmas sejam quebrados e que a boa música vença sempre, independente de gostos pessoais e mercado.
 
7 – Aonde e como vocês projetam o Audax daqui a 5 anos?
É importante que se dê um passo após o outro e que não se queimem etapas, mas vamos lá. Nós temos um planejamento de nos tornarmos artistas, produtores e compositores relevantes no cenário nacional e internacional. Em um mundo ideal, em 5 anos o Audax estará com o projeto totalmente difundido no território nacional. Fará parte dos grandes festivais, das grandes festas e do line up dos grandes clubs. Não necessariamente como headliners, claro. Esperamos que, em 5 anos, os clubs estejam de volta com força máxima. Também projetamos ganhar projeção internacional com tours, collabs com djs estrangeiros e lançamentos com grandes labels internacionais. Um ano de cada vez, trabalhando duro, com humildade, paciência, foco e muita vontade. É nisso que acreditamos.
Rodolfo Reis

Rodolfo Reis

Fundador, redator, e editor do Play EDM. Publicitário, brasileiro, mas atualmente morando em Dublin, na Irlanda. Já viajou para outros países quase sem dinheiro em busca da música eletrônica. Sente saudades da sua família e dos seus treze animais de estimação que deixou em São Paulo. Futuro produtor de eventos ligados à música eletrônica!